quarta-feira, junho 07, 2006

Ódio

"Ódio por ele? Não... Se o amei tanto,
Se tanto bem lhe quis no meu passado,
Se o encontrei depois de o ter sonhado,
Se à vida assim roubei todo o encanto.

Que importa se mentiu? E hoje o pranto
Curva o meu triste olhar marmorizado,
Olhar de monja, trágico, gelado
Como um soturno e enorme Campo Santo!

Ah! Nunca mais amá-lo é já bastante!
Quero senti-lo doutra, bem distante,
Como se fora meu, calma e serena!

Ódio seria em mim saudade infinita,
Mágua de o ter perdido, amor ainda.
Ódio por ele? Não... não vale a pena."

Florbela Espanca

1 Comments:

Blogger unknowngirl said...

O Ódio... Sempre atrás do Amor...
Mas este poema é sem dúvida uma medicamento contra esse sentimento tão doentio!

"Não será o ódio um ponto de fuga e aproximação entre duas pessoas que levam uma vida de insatisfações e que rejeitam pela forma como se sentem amadas?!"

domingo, 17 setembro, 2006  

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